2004/01/10

 
O desnorte continua a dominar a agenda do PS.
É verdade que Ferro Rodrigues está mais comedido nas declarações, mas
não consegue convencer ninguem de que ele, ainda é o Secretário-Geral do
Partido Socialista. Quando se trata de responder a factos ligados à Justiça
e à pedofilia, é Vera Jardim quem está de serviço, para responder em nome
do PS; para comentar a ida de José Lamego para o Iraque, foi Ana Gomes
quem deu a cara e a fala; agora, foi a vez de Jorge Coelho vir dizer que,
quem tem a culpa da sentença condenatória proferida contra Edite Estrela
é, tão sómente o PCP... e Ferro Rodrigues, que em tempos chegou a pensar
num entendimento com os comunistas, aplaudiu aquela diatribe. Como se
isto não bastasse, a Direcção do PS, apresenta-se dividida nas homenagens
a José Lamego; uns foram ao Cataplana jantar e aplaudir Lamego, mas do
Secretariado Nacional, ninguem foi ao jantar. Ao que consta, o repasto foi
dominado por elementos ligados ao Grande Oriente Lusitano, a principal
loja maçónica em Portugal. No final da festa, quando foi pedida a conta,
Rui Oliveira e Costa esclareceu que, o custo do jantar, não fora patrocinado
por nenhuma cimenteira, pelo que, cada um, teria a pagar 25 euros...


É sabido que, José Lamego, nos tempos de estudante, militava no MRPP,
assim como José Manuel Durão Barroso e outros políticos que agora estão
no poder ou vivem perto dele. Daqui se percebe porque é que, José Lamego
terá sido apoiado pelo actual primeiro-ministro, para desempenhar o cargo
de Administrador para os Refugiados, no Iraque. São amigos de longa data,
e conhecem-se o suficiente para poderem avaliar-se mutuamente.
Da parte do PS, não se esperava contestação ou represálias, mas apenas
um discreto distanciamento. Assim não aconteceu, não por culpa de José
Lamego, mas por falta de estratégia de Ferro Rodrigues, que deixou falar
Ana Gomes, como se ela estivesse a representar o papel da Direcção do PS.
Tambem sabemos como esta falta de coordenação do partido, contribuiu para
clivagens dentro do PS, deixando transparecer para a opinião público, mais
uma vez, a falta de estratégia e ausência de liderança no maior partido da
Oposição. E as fracturas dessa clivagem, ainda não estão saradas.


Como se a desbunda dentro do PS não chegasse, desenham-se agora duas
correntes de acção, que podem contribuir, ainda mais, para a confusão junto
dos seus eleitores. É assim: Ferro Rodrigues, que ainda é Secretário-Geral,
vai andar pelo país em campanha quando a maioria dos portugueses não
conhecem o final do processo Casa Pia, no qual Ferro teve uma actuação
desastrosa. Ferro Rodrigues, enquanto não for lida a sentença sobre Paulo
Pedroso, não tem credibilidade para fazer o quer que seja, muito menos andar
em romarias, junto dos seus eleitores. Ao mesmo tempo, Jorge Coelho-- que
era a reserva moral do PS-- volta à "estrada" para fazer campanha contra o
Governo, mas parece estar muito empenhado em atacar os comunistas. Ora,
foi Ferro Rodrigues que, antes do processo Casa Pia, chegou a falar num
hipotético entendimento com o PCP, tanto mais que o PSD se havia coligado,
entretanto, com o PP de Paulo Portas, para poder governar em maioria.


Estamos perante mais uma falta de pontaria do PS. Enquanto seria razoável
escolher uma estratégia de ataque ao Governo, baseada numa análise feita
aos resultados do mesmo, o PS vai espingardear contra um partido em
mudança, que está fora do Governo, e poderá ter uma nova orientação a
partir do segundo semestre deste ano. Assim, o PS afrouxa o combate aos
partidos no poder, e prepara o terreno, para o Bloco de Esquerda crescer.
É verdade que o PS, deve deixar o PSD governar, durante esta legislatura.
Mas os combates, preparam-se com antecedência, com tempo para o treino,
com estudos sobre o futuro da evolução social, politica e conómica. A Oposição
não pode desejar o poder, se não mostrar que está melhor preparada para
governar. Para isso precisa apresentar ideias, projectos, políticas inovadoras,
para convencer os portugueses que chegou a hora de mudar para melhor.
Chega de desorientação, de falta de coerência e rigor na acção política.






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