2003/12/08

 
Vivemos tempos de cólera e insegurança. O mundo segue em frente, mas
este clima de inverno, parece deixar-nos incapazes para arrostarmos com
as intempéries e podermos seguir a caminhada do tempo. Entre o calor
dos trópicos e o gelo dos pólos, há vida, gente que resiste e se adapta a
viver em condições extremas. É vivendo nas condições climatéricas mais
adversas, que as pessoas se tornam mais aptas para enfrentar as piores
adversidades. É vivendo nessas condições, que as pessoas dão maior
valor à vida, ao sucesso no seu trabalho, ao triunfo sobre as dificuldades
que a Natureza lhe coloca, e aprende a viver com a diversidade na unidade
do universo. Essa experiência é gratificante e engrandece a quem a viveu.

Enquanto o mundo a norte do trópico de Capricórnio e a sul do trópico de
Cancer, vive entre o calor do verão e o frio de inverno, o mundo entre estas
duas latitudes, vive o calor equatorial ou tropical em permanente ebulição.
É um mundo mais divertido, mais alegre, mas tambem menos interessado
no progresso. As pessoas apreciam a abundância que lhes é oferecida pela
natureza. Com o calor, não precisam de muita e diversificada roupa. Até para
dormir, não precisam de alojamentos muito caros. São felizes com menos.

Mas nas latitudes mais quentes, em zonas mais desertas, as pessoas vivem
entre a abundância e a penúria. E, entre estas duas, nalguns casos, situa-se
a instabilidade política, senão mesmo a guerra. Esta, curiosamente, acontece
sempre de "fora" para "dentro". A penúria existente naquelas latitudes, está
baseada, quase sempre, na falta de meios para explorarem os recursos que
têm no solo ou subsolo. Água para abastecer as populações e regar as terras,
extracção de minérios, diamantes e hidrocarbonetos -- para isto, falta-lhes a
tecnologia, as máquinas. Daí que, para o fazer, tenham que socorrer-se dos
estrangeiros, e quase sempre de forma pouco transparente, dando origem a
que a corrupção e o nepotismo tomem conta de tudo, sem beneficiar o povo.

É aqui que, a par de outros factores, o poder se corrompe, desautoriza, e dá
lugar à anarquia e ao saque das riquezas, criando grupos armados, gerando
a luta entre grupos rivais e desafiando o Estado. Na África sub-sariana temos
exemplos destes. Nos países islâmicos, onde o petróleo é explorado por
multinacionais e onde as receitas deste, não chegam a entrar nos cofres do
Estado ou entra apenas uma parte delas, leva ao confronto entre os radicais
nacionalistas islâmicos e os países que apoiam os governos corruptos. Não
podemos esperar paz e progresso, democracia, numa situação como esta.

Como se tudo isto não bastasse, temos ainda a questão de Israel, por causa
de quém, a comunidade internacional despojou milhões de palestinianos das
terras onde viviam há milhares de anos, para se "desenhar" num mapa, uma
área limpa de árabes, estabelecendo aí um estado para os judeus... Nunca isto
deveria ter acontecido. Nós vivemos na peninsula ibérica com árabes durante
muitos séculos, aprendemos muito com eles, e, se fôsse hoje, estariamos a
viver aqui, todos em paz. Separar povos/raças, no século XX e XXI, representa
uma regressão de vida, até à Idade Média. Os europeus, nestes dias, vivem
com árabes, muçulmanos, kurdos, indús, magrebinos, coreanos, japoneses.
Somos todos humanos. Não há razão para haver povos separados... Ao criar
Israel -- só porque são o povo "eleito" -- demos origem à semente de toda a
actual violência do médio-oriente, que derivou para o fundamentalismo islâmico
e vai espalhar-se a outros países, como fumo na noite da "morte dos inocentes".

Vivemos um tempo de cólera e insegurança. Precisamos encontrar uma saida
para esta situação. Precisamos de ouvir gente honesta, com ideias claras e
justas. Não venha José Manuel Fernandes e outros que tais, vender-nos profetas
ou gurus da estirpe de Fukuyama -- como o fez hoje, no "Público". Um senhor
que proclama "O Fim da História", só porque caiu o Muro de Berlim, é porque
está a delirar ou então é um "falso profeta". Como são falsos e incapazes de
compreender o mundo, todos os que leêm e recitam Francis Fukuyama.






<< Página inicial

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

Subscrever Mensagens [Atom]