2003/12/17

 
O QUE DIZEM OS OUTROS

"Mais uma vez o que nos espanta é a desproporção. Tal como as famosas
armas de destruição maciça que se anunciavam como pretexto para prote-
ger o Ocidente de terríveis ameaças, nós continuavamos a imaginar um
Saddam entrincheirado num "bunker", rodeado de colaboradores baasistas
que dirigiam clandestinamente a resistência às forças aliadas. Seria ele o
chefe, o posto de comando, o cérebro da guerrilha, o foco do terrorismo.
Mas não. Era apenas um pobre diabo acossado, que poderá fazer pena se
não tivermos o cuidado de relembrar o seu terrível "curriculum". Mas é ma-
nifesto que, neste estado de abandono e degradação, não dirigia coisa
nenhuma. (...) A partir de agora, os que resistiram (e haverá certamente
forças nacionalistas que vão continuar a faze-lo) não o fazem por nostalgia
de Saddam Hussein, mas porque têm uma outra concepção do que deveria
ser a "libertação" do Iraque. Resta saber se a prisão de Saddam não irá
libertar Bush do pesadelo do Iraque mais depressa do que se previa."

(Eduardo Prado Coelho, em "O Fio do Horizonte", no "Público" de hoje).

(Atentado esta manhã, em Bagdade, com 17 mortos contados e dezenas
de feridos. Parece que George Bush não se vê livre do Iraque tão cedo)

"Ver Saddam assim, com a lingua de fora, é um prazer" - Clara Ferreira Alves
no "Diário de Notícias" de ontem. (Não estará a pensar em Mike Jagger?).

"A um ano das eleições [nos Estados Unidos] saiu a taluda de Natal a Bush".
-Manuel Seabra, no "Diário de Notícias" de ontem.

"Foi esta a escolha da Administração americana: apanhar Saddam vivo para
o filmar e mostrar ao mundo. É bom para a reeleição de Bush. Duvidamos
que o seja para a democracia no Iraque
"- Raúl Vaz, no "Diário Económico"
de ontem. (Esperemos que não se trate de mais um truque, em plástico).

"Os que agora se insurgem com as imagens de Saddam esperariam que ele
nunca fosse detido e julgado pelos crimes que cometeu. Era um género de
vingança contra os EUA"
-- Luis Delgado, no "Diário de Noticias" de ontem.

"Os "cartoons" de Leunig não são muito visuais. Valem tanto em imagens
como valem em texto. Lembram a "arte conceptual" dos anos 1970. Isto
no bom sentido, não pelo lado negativo. Contudo, os "cartoons", normal-
mente, não são incluidos na "arte conceptual". Podem ser, desde que a
"arte conceptual" signifique que, a produção artística sirva o conhecimento
e que o objecto artístico seja um fim em si mesmo. Como vemos neste :


O "cartoon" capta a mentalidade branca e negra da política internacional.
É preciso um déspota -- um Hitler, um Estaline ou um Saddam Hussein --
para diabolizar. É o Diabo versus Deus. Saddam Hussein deixou de ser
o "Carniceiro de Bagdade" par ser um rato acantonado no seu buraco.
O corropio dos "media" nestes últimos dias, tem-se devotado ao buraco,
à barba e à imundície. Leunig, nos seus "cartoons" procede de modo
crítico. Que está a ser representado pelos "media", nos últimos dias?
Uma moralidade antiga ou uma tragédia, com os "media" actuando em
côro?"
- JunkforCode, blogue de Sauer-Thompson (aqui ao lado), de Sidney.

"Oitenta por cento da população mundial, não tem assistência médica-
dentária gratuita. Talvez por isso, foi a primeira coisa que Bush fez a Saddam
Hussein. Afinal, todos os filhos da puta deste mundo, mantêm um tratado
de ajuda mútua"
"- Adreu, de Ibiza (aqui ao lado) no seu "Un Poc de Blog".






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