2003/12/03

 
DE OEIRAS ATÉ BORBA

No conceito "Oeiras vale a pena" -- captado e desenvolvido pelo executivo
da CMO -- existe uma diversidade de propostas de carácter lúdico, cultural
e desportivo que permite aos seus munícipes, exercerem de forma real e
concreta o seu direito de cidadania. Refiro-me, em especial, às propostas
apresentadas no programa "Mexa-se Mais", que apresenta roteiros para
passeios pedestres e de bicicleta, a par de excursões a outros concelhos.

Foi num destes programas que, a convite da CMO, fui ontem até Borba,
concelho do Alto Alentejo. Esta permuta de visitas, é razoável e faz todo o
sentido, na medida em que, a maior parte dos actuais habitantes das
cidades do litoral, são oriundos das aldeias, vilas e cidades do interior. Por
exemplo, em Oeiras, há gente do Minho, das Beiras, do Alentejo e Algarve,
para além das comunidades dos ex-PALOPS, totalmente integrados. Daí
que, estas visitas em grupo aos locais de origem dos munícipes, contribua
para aproximar as pessoas, mas tambem para valorizar o país interior.

- - Paisagens de Borba - Cortesia de "Borba-Net" do portal cm-Borba.pt- -

No que respeita ao exercício de cidadania por parte dos seus munícipes,
Oeiras pode contribuir para ajudar os outros municípios, facilitando meios
e experiências desenvolvidas nesta área social. É natural a hesitação por
parte de outros municípos, por se julgarem aptos e sabedores. No entanto,
o concelho de Oeiras, dentro do conceito "Mexa-se Mais" e "Oeiras vale a
Pena" tem uma experiência com resultados muito positivos, que merece
ser dada a conhecer, talvez através da Associação Nacional de Municípios.
Ter ideias não é suficiente, o importante é concretizá-las. E como é que
Oeiras concretizou a Piscina Oceânica, a Marina, os Bairros Sociais, a inte-
gração e recuperação das gentes da Pedreira dos Húngaros, o Parque
dos Poetas, a Biblioteca de Oeiras e tantos outros equipamentos sociais
nas freguesias do concelho? Porque tinha projectos, porque conseguiu
dinheiros? Porque soube aproveitar a onda do FEDER? E o projecto
inovador do Tagus Park? E o Passeio Marítimo Torre-Forte das Maias?

- - Edifício da Câmara Municipal de Borba - -

Dentro do espírito "abrangente" que enforma este blogue, não queria
deixar passar a oportunidade de expressar o apreço pelo trabalho feito
pelo executivo da CMO. Esta minha excursão em "autopulman" até Borba,
convivendo com a diversidade social, cultural e etária das pessoas que
nela participaram, valeu pelo serviço e pela organização prestada pela
CMO, representada na pessoa da Drª Suzana Martins e o "piloto-motorista"
"sôr Mourão"-- de noite e de dia, conduz um autocarro, como eu conduzo
um Corsa-1200, com segurança, sem sobressaltos, e sempre a conversar,
que é uma coisa que a mim me faz confusão.

- - Borba - Fonte das Bicas, classificada de património nacional --

Ontem, terça-feira, esteve um dia magnífico, cheio de sol, sem nuvens.
Foi uma viagem maravilhosa. O Alentejo está cheio de água, a terra está
encharcada e as represas estão quase cheias. E, o Inverno, ainda não
chegou. Os campos estão a ficar verdes, cobertos por milhares de ervas
e, nalguns lugares, já há tons amarelos, de ervas floridas. O gado bovino
e lanígero pastava nas herdades, ao longo da auto-estrada. De Lisboa a
Borba, é um pulo. Cerca de hora e meia. Quando se chega a Portel, a
paisagem é plana, extensa, profunda; é a meseta ibérica em toda a sua
extensão. Sol, muito sol, só ao longe, muito longe, na serra de S. Mamede
aparecem dois a tres pequenos farrapos de nuvens. O horizonte, perde-se.

-- Vila Viçosa-Vista geral do imponente Palácio da Fundação Bragança --

Borba e Vila Viçosa vivem com uma economia flurescente, apesar da crise.
A maior riqueza, são os soberbos mármores, extraidos para o mercado
interno e para exportação mundial. Não há crise no sector. O problema é
estético e ecológico: como disfarçar as crateras esventradas na Terra, donde
se extraiu o mármore? Há quém sugira a plantação de eucaliptos. Além dos
mármores, a segunda actividade é a vinha. Por todo o lado há vinhedos. Em
Borba, no Restaurante Arado -- ou do "Chico" -- bebi vinho a granel, colheita
de 1999, de superior qualidade ao vinho engarrafado, vendido nos "supers".
No "Chico", divinal sopa de cação, saborosa entremeada (porco pata preta).
Tudo em conta, por 9,70 euros. Os queijos corados, são um pitéu.

- - Vista geral da Praça Central de Vila Viçosa - -

Depois da visita a Vila Viçosa -- é um "must" -- para visitar o Palácio da
Fundação de Bragança onde, em plena integração europeia, se ouviu alguns
defenderem os conjurados de 1640, regressamos a Oeiras pelas 17,30 da
tarde, já ao anoitecer, quando os ventos da meseta faziam chegar a tempe-
ratura aos 7 graus. Dizem que, lá para a meia-noite, chegaria aos 2 graus!

No regresso, com o "piloto-automático" (Mourão) ao volante, após uma breve
paragem numa área de serviço em Vendas Novas, e, (pelo que me apercebi)
por tradição, foram chamadas ao "micro" os "artistas" da noite. Entre os que
contaram anedotas bacôcas e com barbas -- muito do agrado das "seventie-
ladies" -- e os que prezaram pelo silêncio, um houve (o Saraiva, da Amieira)
que destuou pela positiva, e se apresentou, dizendo que era alentejano e
"escrevia umas décimas". E teve memória para "dizer" as suas décimas, onde
resumia a sua vida desde tenra idade, na Amieira, concelho de Portel -- que,
em 1948 não tinha luz, água nem esgotos!-- até à actual vivência em Oeiras.
A participação espontânea do senhor Saraiva, relevou tudo o que antes se
havia ouvido, e mostrou bem o carácter multi-étnico e comunitário que enforma
a população urbana de muitas das nossas cidades.

Como diria o Dr. Marcelo: Está de parabens a presidente da Camara Municipal
de Oeiras, Drª. Teresa Zambujo, por continuar a implementar as condições que
proporcionam aos seus munícipes o gozo dos seus direitos de cidadania.














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