2004/01/02

 
O país entrou em 2004 alarmado com o que se está a passar na justiça.
Toda a gente ficou surpreendida com as novas revelações, que deviam estar
em segredo de justiça, referentes a nomes constantes no processo da Casa
Pia. A questão não tem grande relevância, pois trata-se de documentos em
anexo, referentes a cartas anónimas. No entanto, levanta suspeitas, já que,
se trata de figuras ligadas ao PS. E, chegados aqui, pensamos logo em Ferro
Rodrigues: será que ele tinha razão, ao afirmar que tudo não passa de uma
tramóia para o prejudicar a ele e ao PS? Se assim for, devo confessar que
me apetece repetir o desabafo de Ferro Rodrigues: isto só vai à canelada!

Eu aconselhava a Blogosfera a esquecer, por uns tempos, esta trapalhada
toda à volta da justiça. Trata-se de manobras, que a justiça deve esclarecer.
Deixemos os jornais e as televisões encharcarem-se neste "lavar de roupa
suja". Já é tempo de o país começar a trabalhar, a produzir, e deixar que os
"agentes da justiça" façam o que têm a fazer: justiça. E que o façam com a
celeridade e com a honestidade que deve ser exigida a quem é remunerado
pelo Estado, pelo erário público. Todos os cidadãos do Estado devem ser
"produtivos" nas funções que desempenham. Basta de discussões estéreis.
Para isso, estão os advogados,--"os snrs. Drs."--essa classe de profissionais
que durante mais de um século dominaram a vida portuguesa. O orgulho de
cada pai, era ter um filho advogado, que fosse um brilhante causídico, e, se
possivel, que a sua carreira terminasse com um lugar de deputado da Nação.



Com os advogados a dominar o país, o Portugal pequenino transformou-se
num viveiro de burocratas, vestidos de negro, de colarinho engomado e de
gravata como sinal de civilização. Os causídicos, neste país, ganharam fama
de "gente esperta" que, por dinheiro, transformavam um criminoso numa
pessoa de bem, e, para alem disso, ainda exigiam que fosse indmnizado pelo
Estado. Quando o presumível não tinha dinheiro, raramente era patrocinado
por um excelente tribuno, e acabava, muitas vezes, por ser condenado por
falta de interesse do patrocinador. Daí que o povo diga: só tem justiça, quem
tem dinheiro. Haverá quem fale em excepções, claro que as há, como sempre.

Veja-se o processo da Casa Pia, como é representativo da falta de celeridade.
Já lá vai um ano. Mas nos EUA, como disse há dias o Prof. Marcelo Rebelo de
Sousa, "ao fim de dois meses [nem tanto] a acusação foi formulada". Este mes,
de Janeiro, o presumível acusado, Michael Jackson, vai a julgamento. A justiça
portuguesa, um ano depois, ainda está às voltas com o Processo Casa Pia...
Porque os advogados -- uns para facturarem mais outro para ganhar nome --
passam o tempo em manobras dilatórias, atrasando, arrastando o processo.
Porque é essa a cultura dos nossos causídicos. Se há dinheiro, arrasta-se o
processo, para assim "facturar" mais; não o havendo, mas tratando-se de um
processo mediático, que pode tornar o advogado de defesa numa "estrela",
este utiliza todos os trâmites para poder levar a sua estratégia até ao fim.



E o país ocupa-se dias, meses, anos seguidos a acompanhar um processo
como este, da pedofilia, deixando para o esquecimento outras questões que
podiam e devem ser acompanhadas com empenhamento de todos nós. Por
isso me parece que devemos, neste início de ano, re-orientar as prioridades
a serem tratadas na Blogosfera. Há muitos temas, muitas questões a serem
analisadas. O país precisa olhar em frente, trilhar novos caminhos, ser mais
exigente com os governantes, estar mais atento ao que se passa nas autar-
quias, estimular uma cultura de rigôr e de honestidade moral e cívica. Temos
necessidade de acompanhar a economia -- coisa ignorada pela TV pública e
privada -- e combater a inépcia e a falta de produtividade nos serviços do
Estado, donde resultam prejuizos para o cidadão, que perde horas e horas
numa repartição pública, num hospital ou numa simples conservatória. Essa
perda de tempo, eleva os índices da falta de produtividade do país.









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