2003/12/04

 
O Presidente da República, Jorge Sampaio, deslocou-se à Argélia em
visita de Estado, na companhia de 50 empresários. Tudo leva a crer
que a viagem tinha como objectivo, para além da amizade entre os
dois países, a cooperação económica, tão necessária para ajudar à
expansão comercial e industrial das nossas empresas, e, portanto,
à economia nacional que tarda em sair da recessão. Nestas visitas
há sempre discursos de circunstância que, manda a diplomacia, devem
espelhar a amizade entre as partes e o desejo de cooperação no maior
número possivel de actividades. É por este prisma que devemos analisar
a viagem de Jorge Sampaio, bem como os resultados finais da mesma.

Mas não é este o entendimento de José Manuel Fernandes (JMF), director
do "Público" que, no seu editorial de hoje, confunde "omeletes" de ovos
partidos com a política iraquiana de George Bush. JMF podia utilizar o seu
editorial para nos dar o seu "ponto de vista" sobre o défice orçamental
da Madeira, a nova contribuição autárquica, o aumento de 35 por cento
no pão, o preço do gas natural, a crise na construção civil, as cheias que
assolaram a França ou as relações comerciais com S. Tomé e Príncipe. Mas
estes problemas não contam para JMF. As suas certezas, a causa que lhe
tira o sono, é a sua obsessão pela defesa da política americana, do seu
presidente, do apocalíptico Rumsfeld. Essas são as ideias que enchem a
cabeça de JMF. Vive e luta, defendendo a ocupação do Iraque, e culpando
todos nós, como se tivessemos sido os causadores daquele atoleiro.


Os lobos estão em extinção; toda a existência fica pior, sem os lobos.

Ao ler hoje o editorial de JMF, através do qual se mostra agastado com o
discurso argelino de Jorge Sampaio, fico com a ideia de que JMF não aceita
críticas à intervenção dos EUA no Iraque -- ainda que sejam proferidas pelo
Presidente da República, na cerimónia protocolar de visita a outro país.
Com tal atitude, JMF parece o "cão de guarda" de George Bush. E peço a
ele que me perdôe a figura de retórica, mas a sua atitude de alerta e de
defesa das posições americanas, chega a ser cega, doentia, seguidista.


(foto: cortesia de "Sidney Morning Herald", Sidney - Austrália)

A imagem mostra a dimensão da tragédia que se abateu no sul de França,
onde as chuvadas torrenciais dos últimos dias fizeram estragos vultuosos,
7 mortos, e ainda há desaparecidos. A cidade de Montpellier, junto ao mar
mediterrâneo, foi a mais prejudicada pelas inundações e quedas de árvores.







<< Página inicial

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

Subscrever Comentários [Atom]