2003/11/04
Por causa da polémica levantada com a nomeação de Fernando
Lima para a direcção do "Diário de Notícias", quiz dar uma vista
de olhos pelo matutino que em tempos li, para ver como estava
no que respeita à qualidade editorial. Lá paguei os 65 cêntimos
e não fiquei nada satsifeito por ter na mão, tanto papel para ser
largado no caixote do lixo. Tenho pena que o DN tenha chegado
ao estado em que se encontra; totalmente descaracterizado, e
com uma forte componente "tabloidal", onde se acoitam alguns
dos mais "conservadores" escribas da política nacional, como é
o "texano" Luis Delgado e o "sionista" António Ribeiro Ferreira.
Eu não esperava um DN igual ao de Augusto de Castro, com os
seus editorias situacionistas, nem ao de João Coito, a defender o
"garbo das nossas tropas na frente de batalha". Não, porque
tudo tem que evoluir; até o céptico "Times" de Londres se rendeu
à côr e às imagens, que agora apresenta na primeira página. Mas
aceitava que o DN se reduzisse para formato "tabloide", sem que isso
levasse à perda de qualidade editorial, e alinhado pelo jornalismo
de "sensação", com a primeira página a competir com os diários
mais sensacionalistas da nossa Imprensa. Para além disso, com
os desbocados "neo-conservadores" que fazem parte da sua
redacção, o DN tornou-se paladino defensor da América de George
Bush, do guerreiro Ariel Sharon, em detrimento do povo árabe,
designadamente os palestinianos e os iraquianos. Consequência
da globalização, do caminho traçado pelo coronel Silva? Não sei.
O que posso afirmar é que, para mim, o DN, deixou de existir.
Um jornal de referência, como sempre foi o DN e era "O Século"
de João Pereira da Rosa, deve manter uma certa "patine", que
mais não é do que o seu estatuto próprio, representando uma
corrente de opinião, que não se confunde com a de outros. Que
tenha uma linha editorial própria, informativa, mas que seja tambem
formativa, com opinião soberana e distinta dos outros. Isso leva o
leitor a identificar-se com o jornal, beneficiando da corrente social
e política emanente aos seus editoriais. Acrescente-se que, esta
função, é altamente cívica e geradora de correntes de opinião bem
esclarecidas -- coisa que os "tabloides" não fazem, porque o objectivo
destes, é "facturar" e contribuir para a alienação dos seus leitores.
Os fundamentos do melhor jornalismo português são, nestes tempos,
mantidos e praticados pelo jornal "Público" que, irónicamente, nasceu
há pouco mais de 10 anos, com o objectivo de satisfazer todos os
leitores até então desiludidos com a qualidade da Imprensa nacional.
É, nestes tempos, o único jornal de referência português. O resto é
papel para embrulho, excepto para aqueles que gostam de escândalos,
"voyerismo" e futebol. A imprensa de um país, é o reflexo do seu povo.
Porque o dia está cinzento e frio, é bom ficarmos por aqui, em extâse:
(foto: cortesia de "Anchorage Daily News", Alasca, USA).
Lima para a direcção do "Diário de Notícias", quiz dar uma vista
de olhos pelo matutino que em tempos li, para ver como estava
no que respeita à qualidade editorial. Lá paguei os 65 cêntimos
e não fiquei nada satsifeito por ter na mão, tanto papel para ser
largado no caixote do lixo. Tenho pena que o DN tenha chegado
ao estado em que se encontra; totalmente descaracterizado, e
com uma forte componente "tabloidal", onde se acoitam alguns
dos mais "conservadores" escribas da política nacional, como é
o "texano" Luis Delgado e o "sionista" António Ribeiro Ferreira.
Eu não esperava um DN igual ao de Augusto de Castro, com os
seus editorias situacionistas, nem ao de João Coito, a defender o
"garbo das nossas tropas na frente de batalha". Não, porque
tudo tem que evoluir; até o céptico "Times" de Londres se rendeu
à côr e às imagens, que agora apresenta na primeira página. Mas
aceitava que o DN se reduzisse para formato "tabloide", sem que isso
levasse à perda de qualidade editorial, e alinhado pelo jornalismo
de "sensação", com a primeira página a competir com os diários
mais sensacionalistas da nossa Imprensa. Para além disso, com
os desbocados "neo-conservadores" que fazem parte da sua
redacção, o DN tornou-se paladino defensor da América de George
Bush, do guerreiro Ariel Sharon, em detrimento do povo árabe,
designadamente os palestinianos e os iraquianos. Consequência
da globalização, do caminho traçado pelo coronel Silva? Não sei.
O que posso afirmar é que, para mim, o DN, deixou de existir.
Um jornal de referência, como sempre foi o DN e era "O Século"
de João Pereira da Rosa, deve manter uma certa "patine", que
mais não é do que o seu estatuto próprio, representando uma
corrente de opinião, que não se confunde com a de outros. Que
tenha uma linha editorial própria, informativa, mas que seja tambem
formativa, com opinião soberana e distinta dos outros. Isso leva o
leitor a identificar-se com o jornal, beneficiando da corrente social
e política emanente aos seus editoriais. Acrescente-se que, esta
função, é altamente cívica e geradora de correntes de opinião bem
esclarecidas -- coisa que os "tabloides" não fazem, porque o objectivo
destes, é "facturar" e contribuir para a alienação dos seus leitores.
Os fundamentos do melhor jornalismo português são, nestes tempos,
mantidos e praticados pelo jornal "Público" que, irónicamente, nasceu
há pouco mais de 10 anos, com o objectivo de satisfazer todos os
leitores até então desiludidos com a qualidade da Imprensa nacional.
É, nestes tempos, o único jornal de referência português. O resto é
papel para embrulho, excepto para aqueles que gostam de escândalos,
"voyerismo" e futebol. A imprensa de um país, é o reflexo do seu povo.
Porque o dia está cinzento e frio, é bom ficarmos por aqui, em extâse:
(foto: cortesia de "Anchorage Daily News", Alasca, USA).
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