2003/11/02

 
O ESTILO E A ESCRITA

Augusto M Seabra, na sua crónica semanal no Público de hoje,
vem colocar uma ideia que eu, nos primórdios deste blogue, procurei
desenvolver. Tem a ver com a utilização da Blogosfera para fazer
crítica ou opinião, por aqueles que já têm, desde há muito, outros
meios para o fazer, como seja a Rádio, a Televisão e a Imprensa.
Em minha opinião, a Blogosfera, devia ser reservada para os que
não têm acesso áqueles meios de comunicação. Acontece que o
cronista do público, não o diz explicitamente, mas insurge-se contra
Pacheco Pereira, o Abrupto, de forma arrevesada e num estilo tão
caótico que me leva a realçar a dificuldade sentida por todos nós,
quando tentamos, num reduzido espaço, alinhavar as nossas ideias.
Para nós, amadores, desculpa-se, mas no trabalho de um crítico e
ensaísta como é Augusto M Seabra, isso não é aceitável.

Repare-se no seu trabalho: a meio da peça crítica, diz que "E desta
situação Pacheco Pereira tornou-se actor e sintoma maior". Quase
no final, diz que "Pacheco Pereira tornou-se actor e sintoma maior de
um atrofiamento" (duas vezes, a mesma dose). Depois faz uso de uma
terminologia que torna a sua leitura arrepiante: "mas ao que no";
"que se não se"; "que se me"; "e agora até agora"; "a crítica áquele
se" (que raio de estilo). Pratica um discurso hermético: "sistemática
ao sistema"; "sistema mediático"; "intenta internamente"; "efemeridade
mediática"; "mais problemático é que se no"; "correlativa insinuação";
"de uma e de outra de uma"; "notória pragmática comunicacional";
"inerente à própria omnipresença".(Valha-nos o estilo do nosso Eça!).


(foto: cortesia de "Anchorage Daily News", Alasca, USA)

Eu reconheço que, todos nós que escrevemos, já tivemos momentos de
falta de inspiração e de controlo sobre as ideias que pretendemos
alinhavar para "começar" e "terminar" uma dissertação que tenha
brilho e coerência no seu encadeamento. Por vezes sentimos um vazio
muito grande, e desistimos, porque a "fonte" está seca; aguardamos
por outra hora ou outro dia, quando se fizer luz no nosso espírito. E
então poderemos produzir uma boa peça literária, seja ela um ensaio,
um romance, uma crítica ou um simples comentário. Se acaso acontecer
esse momento mágico, o nosso trabalho será profícuo, terá substância.

No caso em análise, acho que foi escrito no pior momento, talvez logo
após o amanhecer, quando as ideias estão envoltas em nebelina. De
resto, Augusto M Seabra, titulou a sua peça como "Early morning, com
Pacheco Pereira" pelo que, tudo leva a crer, terá escutado Pacheco na
TSF, depois leu Pacheco no Abrupto, a seguir leu Pacheco no Público,
e, à noite, viu Pacheco na SIC... E ainda faltou vê-lo na sua prestação
como deputado no Parlamento Europeu. "É isto exemplo da democra-
ticidade do espaço público? - pergunta Augusto M Seabra. "É inquietante
a formatação da opinião no espaço público em Portugal" - rematou a
finalizar. De facto, temos "papagaios" a mais, para comentar o quotidiano
de um país tão pequeno, como é Portugal. E, são sempre os mesmos!









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