2003/11/03

 
Hoje vou escrever sobre coisas mundanas, já que andamos, todos
nós, com a auto-estima de rastos, devido a tantos e continuados
relatos sobre as desgraças que nos acontecem e que nos chegam
diáriamente através das televisões. Por isso, vou falar sobre a 13ª.
edição da "Portugal Fashion", realizada este fim-de-semana, na
Fundação Serralves, no Porto e à qual assistiram cerca de 5.000
pessoas. Foi um acontecimento positivo, onde se mostrou o trabalho
dos profissionais ligados à moda e ao "design" que, graças ao seu
dinamismo, conseguiram transformar este evento numa referência
da moda internacional. Esta evolução deve-se aos jovens "designers"
e empresários que, em colaboração com os industriais de tecidos,
passaram a trabalhar em parceria, a fim de conseguirem vantagens
no mercado internacional. Para tanto, levaram as suas aspirações
até à universidade, tendo esta elaborado estudos e projectos que
até então nunca tinham sido feitos. A investigação, a inovação e o
"marketing" são factores essenciais para criar uma "marca" e levar
esta até aos consumidores. Esta actividade é muito importante, não
só pelo valor acrescentado, mas tambem pelos numerosos postos de
trabalho assegurados. Não esqueçamos que, ainda há cerca de 30
anos exportavamos os tecidos, e, depois importavamos as peças de
vestuário, feitas do mesmo tecido, mas com "marcas" inglesas. Não
vou citar o nome dos "designers" nem dos manequins, por serem
numerosos e bem conhecidos. Parabens a todos, e bom sucesso.


(à falta de foto, fica esta; a moda portuguesa, já chegou ao Japão!).

A primavera chegou à Austrália, e, com ela, a loucura da "Melbourne
Cup", que está a transformar-se num autêntico carnaval. As corridas
de cavalos são muito populares na Austrália, como são aliás em
Inglaterra, onde a rainha Ana, em 1711, inaugurou o hipódromo de
Ascot, no Berkshire. Depois, os súbditos de sua magestade, levaram
este desporto para as parcelas do Império. Nós, apenas deixámos o
futebol -- divertimento mais reles, mais pobre; jogava-se em qualquer
lugar, na rua, na praia, no pelado. Os estádios, haviam de vir muitos
anos mais tarde... Pois as "horse racings" de Ascot, na década de 60,
eram um delírio de rebeldia. Ali comparecia a "nata" da "city", velhos
Lords de cartola e baronezas de cara polvilhada de Ponds, mas eram
as mulheres em geral, que davam estilo às corridas de Ascot. Chegavam
vestidas com o que de melhor havia no Harrods, mas era sobretudo ao
nível dos toucados, que davam nas vistas, exibindo nas suas cabeças
os chapéus mais exóticos, mais apelativos, com as suas formas de
geometria variável. Os jogadores, davam tanta atenção aos cavalos,
como davam às damas que exibiam os seus penachos. It's funny!...


(à falta de "mulheres-chapeu", ficam apenas os cavalos)

Por aqui podemos concluir que, o povinho, não vive sem "espectáculo".
Mas lá, como cá, há os que acham que esse espectáculo, servido às
multidões, não passa de uma alienação. Aliás, hoje vivemos todos numa
alienação total, seja pelo futebol, pelos festivais de rock, pelos novelas
big-brother ou pela enchurrada de informação que entra em nossas casas,
quando ligamos a televisão. E a juventude, hoje em dia, vive num cenário
quase irrealista, criado pelas consolas de jogos, pelos downloads MP3,
pelas MTVs, pelas tribos de bandas hard-rock, pelos ídolos travestidos de
Evil-black. Estão alienados, são "aliens", sujeitos estranhos a si próprios.
Não quero terminar de forma negativa. Porque não era esse o meu
propósito. O futuro é dos jovens, eles é que vão viver nele. Esse futuro,
estou certo, não será pior do que o nosso presente. Tudo vai evoluindo.
E, o ser humano, em cada situação, acaba sempre por fazer uma opção.
Ainda que não seja a melhor, poderá sempre optar por uma alternativa.









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